Economía marxista para el Siglo XXI


topoGrupo de investigación Poder global y geopolítica del capitalismo

Apresentação

A definição de poder global não se refere a uma entidade ou a uma instância particular do poder político mundial, nem tão pouco à quantidade relativa de poder de algum estado ou organismo multilateral. É uma expressão que encobre um campo de pesquisa e um modo de analisar o funcionamento e as tendências de longo prazo do “sistema interestatal capitalista”, que se formou na Europa e se “globalizou” a partir do Século XVI. Por isto mesmo, o conceito de poder global não é sinônimo nem equivalente aos conceitos de hegemonia e governança mundial. Ao contrário destes, ele privilegia o movimento, o conflito e as contradições que movem o sistema e impedem sua estabilização na forma de algum tipo de “paz perpétua” ou “governança estável”, exatamente porque se trata de um universo em permanente expansão movido pela competição e pelas lutas entre alguns estados e economias nacionais conquistadores, que são obrigados a se expandir permanentemente para seguir acumulando seu poder e sua riqueza.

Algumas Palavras de Esclarecimento Teórico

Nossas análises e estudos partem de um olhar teórico e de uma leitura da história de “longo prazo” sobre o Sistema Interestatal Capitalista, que nasceu na Europa, nos Séculos XIII e XIV, e conquistou o “resto do mundo” a partir do Século XVI. Do nosso ponto de vista, é possível identificar, nesta longa duração da história do sistema mundial, quatro momentos em que ocorreu uma espécie de “explosão expansiva” dentro do próprio Sistema. Nesses “momentos históricos” houve primeiro um aumento da “pressão competitiva” dentro do “universo” e, depois, uma grande “explosão” ou alargamento das suas fronteiras internas e externas. O aumento da “pressão competitiva” foi provocado – quase sempre – pelo expansionismo de uma ou várias “potências” líderes, e envolveu, também, um aumento do número e da intensidade do conflito entre as outras unidades políticas e econômicas do Sistema. A “explosão expansiva” subsequente projetou o poder destas unidades ou “potências” mais competitivas para fora de si mesmas, ampliando as fronteiras do próprio “universo”.
A primeira vez em que isto ocorreu foi no “longo século XIII”, entre 1150 e 1350. O aumento da “pressão competitiva” dentro da Europa foi provocado pelas invasões mongóis, pelo expansionismo das Cruzadas e pela intensificação das guerras “internas” na península ibérica, no norte da França e na Itália. Neste caso, a “explosão expansiva” que se seguiu se transformou numa espécie de “Big Bang” do “universo” de que estamos falando, isto é, o momento do nascimento do primeiro sistema europeu de “guerras e trocas”, com suas unidades territoriais soberanas e competitivas, cada uma delas com suas moedas e tributos.

A segunda vez em que isto ocorreu  foi no “longo século XVI”, entre 1450 e 1650. O aumento da “pressão competitiva” foi provocado pelo expansionismo do Império Otomano e do Império Habsburgo, bem como pelas guerras da Espanha com a França, com os Países Baixos e com a Inglaterra. Este é o momento em que nasceram os primeiros estados europeus, com suas economias nacionais e com uma capacidade bélica muito superior a das unidades soberanas do período anterior. Foi a “explosão expansiva” desse embrião do sistema interestatal europeu – para fora da própria Europa – que deu origem ao “sistema mundial moderno”, liderado, inicialmente, pelas potências ibéricas e, posteriormente, pela Holanda, França e Inglaterra.

A terceira em vez que isto ocorreu foi no “longo século XIX”, entre 1790 e 1914. O aumento da “pressão competitiva” foi provocado pelo expansionismo francês e inglês dentro e fora da Europa, pelo nascimento dos estados americanos e pelo surgimento, depois de 1860, de três potências políticas e econômicas – Estados Unidos, Alemanha e Japão – que cresceram muito rapidamente e revolucionaram a economia capitalista, bem como o “núcleo central” das Grandes Potências. Houve, então, a terceira “explosão expansiva” do sistema, que assumiu a forma de uma “corrida imperialista” entre as Grandes Potências e trouxe a África e a Ásia para dentro das fronteiras coloniais do “sistema mundial moderno”.

Por fim, desde a década de 1970, está em curso uma quarta “explosão expansiva” do sistema mundial. Nossa hipótese é a de que – desta vez – o aumento da pressão dentro do sistema mundial tem sido provocado pela estratégia expansionista e imperial dos Estados Unidos depois dos anos de 1970, pela multiplicação dos estados soberanos do sistema, que já são cerca de 200, e finalmente pelo crescimento vertiginoso do poder e da riqueza dos estados asiáticos e da China muito em particular.

Na Europa, ao contrário do que aconteceu nos impérios asiáticos, a desintegração do Império Romano e, depois, do Império de Carlos Magno provocou uma fragmentação do poder territorial e um desaparecimento quase completo da moeda e da economia de mercado entre os séculos IX e XI. Entretanto, nos dois séculos seguintes – entre 1150 e 1350 –  aconteceu a grande revolução que mudou a história da Europa e do mundo: foi naquele período que se forjou no continente europeu uma associação indissolúvel e expansiva entre a “necessidade da conquista” e a “necessidade de produzir excedentes” cada vez maiores, que se repetiu, da mesma forma, em várias unidades territoriais soberanas e competitivas, que foram obrigadas a desenvolverem sistemas de tributação e a criarem suas próprias moedas para financiar suas guerras de conquista. As guerras e os tributos, as moedas e o comércio, existiram sempre, em todo tempo e lugar. A grande novidade européia foi a forma como se combinaram, somaram e multiplicaram em conjunto, dentro de pequenos territórios altamente competitivos, e em estado de permanente preparação para a guerra. Na Europa, a preparação para a guerra e as guerras propriamente ditas transformaram-se na principal atividade de todos os seus príncipes, e a necessidade de financiamento destas guerras se tornou um multiplicador contínuo da dívida publica e dos tributos. E, por derivação, num multiplicador do excedente e do comércio, como também do mercado de moedas e de títulos de dívida, produzindo e alimentando – dentro da Europa – um circuito virtuoso e original entre os processos de acumulação do poder e da riqueza.

Não há como explicar o aparecimento desta necessidade européia da acumulação do poder e do excedente produtivo, apenas a partir do “mercado mundial” ou do “jogo das trocas”. Mesmo que os homens tivessem uma propensão natural para trocar – como pensava Adam Smith – isso não implicaria necessariamente que eles também tivessem uma propensão natural para acumular lucro, riqueza e capital, porque não existe nenhum fator intrínseco à troca e ao mercado que explique a necessidade compulsiva de produzir e acumular excedentes. Ou seja, a força expansiva que acelerou o crescimento dos mercados e produziu as primeiras formas de acumulação capitalista não pode ter vindo do “jogo das trocas”, ou do próprio mercado, nem veio, nesse primeiro momento, do assalariamento da força de trabalho. Veio do mundo do poder e da conquista, do impulso gerado pela “acumulação do poder”, mesmo no caso das grandes repúblicas mercantis italianas, como Veneza e Gênova.

Dentro desta nossa perspectiva, deve-se observar que o conceito de poder político tem mais a ver com a idéia de fluxo do que com a de estoque. O exercício do poder requer instrumentos materiais e ideológicos, mas o essencial é que o poder é uma relação social assimétrica indissolúvel, que só existe quando é exercido; e para ser exercido, precisa se reproduzir e acumular constantemente. A “conquista”, como disse Maquiavel, é o ato fundador que instaura e acumula o poder, e ninguém pode conquistar nada sem ter poder e sem ter mais poder do que o que for conquistado. Num mundo em que todos tivessem o mesmo poder, não haveria poder. Por isso, o poder exerce uma “pressão competitiva” sobre si mesmo, e não existe nenhuma relação social anterior ao próprio poder.  Além disto, como a guerra é o instrumento em ultima instancia da conquista e da acumulação do poder, ela se transformou num elemento co-constitutivo deste sistema de poderes territoriais que nasceu na Europa e que depois se expandiu pelo mundo. Por esta razão, a origem histórica do capital e do sistema capitalista europeu é indissociável do poder político e das guerras, e a teoria sobre a formação deste “universo europeu” tem que começar pelo poder e pelas suas guerras, pelos tributos e pelo excedente, e pela  sua transformação em dinheiro e em capital, sob a batuta do poder dos soberanos. O fator endógeno ou primeiro princípio que move este universo é exatamente esta força da compulsão sistêmica e competitiva que leva à acumulação sem fim do poder e do capital. De nosso ponto de vista, o poder tem precedência lógica dentro desta relação simbiótica, a despeito de que a acumulação de capital tenha adquirido uma “autonomia relativa” e cada vez mais complexa com o passar dos séculos.

Mais tarde, depois do “Longo Século XVI” e da formação na Europa dos primeiros Estados Nacionais, essas mesmas regras e alianças fundamentais, estabelecidas no período anterior, mantiveram-se com a diferença de que, no novo sistema de competição, as unidades envolvidas eram grandes territórios e economias articulados num mesmo bloco nacional e com as mesmas ambições expansivas e imperialistas. O objetivo da conquista não era mais a destruição ou ocupação territorial de outro Estado. Poderia ser apenas a sua submissão econômica. Mas a conquista e a monopolização de novas posições de poder político e econômico seguiu sendo a mola propulsora do sistema. A partir de então, no novo Sistema Interestatal, a produção do excedente e os capitais de cada país passaram a ser uma condição indispensável de seu poder internacional. E foi dentro dessas unidades territoriais expansivas que se forjou o “regime de produção capitalista”, que se internacionalizou de mãos dadas com estes novos impérios globais criados pela conquista destes primeiros estados europeus. Depois do Século XVI, foram sempre estes estados expansivos e ganhadores que também lideraram a acumulação de capital em escala mundial. Além disso, a chamada “moeda internacional” sempre foi a moeda destes estados e destas economias nacionais mais poderosas, transformando-se num dos principais instrumentos estratégicos na luta pelo poder global.

A expansão competitiva dos “Estados-economias nacionais” europeus criou impérios coloniais e internacionalizou a economia capitalista, mas nem os impérios, nem o capital internacional eliminaram os Estados e as economias nacionais. Neste novo Sistema Interestatal, os Estados que se expandiam e conquistavam ou submetiam novos territórios também ampliavam seu território monetário e internacionalizavam seus capitais.

Mas, ao mesmo tempo, seus capitais só puderam se internacionalizar na medida em que mantiveram seu vínculo com alguma moeda nacional, a sua própria ou a de um Estado Nacional mais poderoso. Por isso, se pode dizer que a globalização econômica sempre existiu e nunca foi uma obra do “capital em geral”, nem levará jamais ao fim as economias nacionais. Isto porque, de fato, a própria globalização é o resultado da expansão vitoriosa dos “Estados-economias nacionais” que conseguiram impor seu poder de comando sobre um território econômico supranacional cada vez mais amplo, junto com sua moeda, sua dívida pública, seu sistema de crédito, seu capital financeiro e suas várias formas indiretas de tributação.

Por esta razão, do nosso ponto de vista, qualquer forma de “governo mundial” é sempre uma expressão do poder da potência, ou das potências que lideram o Sistema Interestatal Capitalista. Muitos autores falam em “hegemonia” para referir-se à função estabilizadora desse líder dentro do núcleo central do sistema. Mas esses autores não percebem, em geral, que a existência dessa liderança ou hegemonia não interrompe o expansionismo dos demais Estados, nem muito menos, o expansionismo do próprio líder ou hegemon. Por isso, toda potencia hegemônica ou imperial é e será sempre auto-destrutiva de sua própria hegemonia ou do seu próprio império, porque o próprio hegemon ou império acaba desrespeitando e destruindo as regras e instituições que ajudou a criar, sempre que isto se fizer necessário para poder seguir acumulando seu próprio poder e sua riqueza, como se pode ver por exemplo, no caso dos Estados Unidos, desde o fim da II Guerra Mundial. Por isto mesmo, é logicamente impossível que algum pais “hegemônico” ou imperial possa estabilizar o sistema mundial, como pensam vários analistas internacionais. Neste universo em expansão que nasceu na Europa, durante o “longo século XIII”, nunca houve nem haverá “paz perpétua”, nem sistema políticos internacionais estáveis. Porque se trata de um “universo” que precisa  da preparação para guerra e das crises  para poder se ordenar e “estabilizar”. E através da história, foram quase sempre estas guerras e estas crises que abriram os caminhos da inovação e do “progresso” político e econômico dentro do sistema.

Por fim, com relação ao papel das “moedas”, como instrumento de luta – ao lado das armas – na competição pelo poder e pela riqueza mundiais, só existiram até hoje, em toda a história do Sistema Interestatal Capitalista, desde o “Longo Século XVI”, duas moedas globais de fato: a Libra Esterlina e o Dólar Norte-americano. E só se pode falar da existência de três sistemas monetários internacionais: o “padrão libra-ouro”, que ruiu na década de 1930; o “padrão dólar-ouro”, que terminou em 1971; e o “padrão pós Bretton Woods”, que nasceu na década de 1970. Os dois primeiros sistemas se apoiaram numa relação fixa com uma base  metálica comum, o ouro;  mas o terceiro sistema não tem nenhum tipo de padrão metálico de referencia, apoiando-se apenas no poder dos EUA de definir o valor da sua moeda nacional/internacional, e dos seus títulos da dívida pública. Apesar de certa imprecisão histórica, se pode dizer que o “padrão ouro” nasceu depois da vitória inglesa nas guerras bonapartistas e junto com a supremacia econômica britânica, na América e na Índia. Por sua vez, o “padrão dólar-ouro” só se impôs a todo mundo capitalista depois da vitória americana na II Guerra Mundial. Mas o atual sistema monetário internacional nasceu de forma aparentemente diferente, a partir de uma decisão unilateral do governo americano, tomada no dia 15 de agosto de 1971, quando o presidente Richard Nixon decretou o fim da conversibilidade do dólar em ouro, estabelecida em Bretton Woods. Esta decisão criou um novo sistema monetário internacional, mas não modificou as suas regras fundamentais, desde a origem do Sistema Interestatal Capitalista. Como sejam os fatos de que: em primeiro lugar, dentro do “Sistema Interestatal Capitalista”, nenhuma moeda nacional jamais foi apenas um “bem publico” e muito menos as moedas nacionais que se transformaram em de referência internacional. Todas elas envolvem relações sociais e de poder entre seus emissores e os seus detentores, entre os seus credores e os seus devedores, entre os poupadores e os investidores, e assim por diante. E por trás de toda moeda e de todo sistema monetário, se esconde e se reflete sempre uma correlação de poder, nacional ou internacional. Em segundo lugar, as moedas de referência regional ou internacional não são uma escolha dos mercados. São e serão sempre o produto de uma longa luta de conquista e dominação de territórios supra-nacionais, como também um instrumento estratégico de poder dos seus estados emissores e dos seus capitais financeiros. Por isto, em terceiro lugar, o uso dentro do Sistema Interestatal Capitalista de uma moeda nacional que seja ao mesmo tempo, uma moeda de referência supranacional, é uma contradição co-constitutiva e inseparável do próprio sistema. E neste sentido, a moeda poderá até mudar nas próximas décadas (o que é muito pouco provável), mas a regra seguirá sendo a mesma, com o Yuan, o Yen, o Euro, ou o Real. Por fim, é e sempre será parte do poder do emissor da “moeda internacional” transferir os custos de seus desajustes internos para o resto da economia mundial e, em particular, para sua periferia monetário-financeira.

Em linhas gerais, esta é a visão teórica do sistema mundial que está por trás da nossa leitura e da nossa interpretação sobre a história do sistema mundial, bem como sobre a conjuntura internacional que começou na Década de 1970,  decisiva para o entendimento dos acontecimentos atuais e para a identificação das principais contradições e tendências que estão apontando na direção do futuro nas próximas duas décadas.

Visite el sitio web http://www.poderglobal.net/

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